qualidade de vida no trabalho

Você já acordou um dia e pensou que o que está fazendo hoje não é o que quer estar fazendo daqui a dez anos, pois só trabalha, come e dorme, levando mais tempo para se deslocar ao emprego do que convivendo com quem ama?

Ou que talvez o modo como você faz o que ama está te cansando, desanimando ou até adoecendo?

Foram de constatações como essas que se iniciaram discussões sobre qualidade de vida no trabalho, há mais de cinquenta anos. Há 20 anos, quando ainda trabalhava como terapeuta e fazia uma pós-graduação, o tema continuava em discussão e atualíssimo.

Minha inquietação por essas questões já me faziam trabalhar como autônoma, para poder cuidar da filha pequena com flexibilidade de horário. Eu já era um ponto fora da curva!

E por ser um ponto fora da curva, antes de haver um “boom” dos “programas de qualidade de vida” sendo instituídos em grandes empresas, eu mandava “malas diretas” – precursora do e-mail marketing, só que pelos correios – para empresas da região em que eu morava, oferecendo um atendimento preventivo aos funcionários.

Como terapeuta ocupacional, sabia que muitas pessoas são afastadas do trabalho por stress físico e mental: tendinites, LER, problemas de coluna, síndrome do pânico, ansiedade, depressão são só alguns exemplos.

Estes eram os quadros que eu atendia, vez por outra, com técnicas orientais e orientações de adaptação do ambiente de trabalho, posturas e alongamentos. Tudo tentando corrigir os fatores mecânicos da agressão ao corpo, por horas de má postura.

Com outras técnicas, abordava a agressão mental, decorrente do desequilíbrio entre tempo de trabalho X tempo de viver.

A maioria das pessoas é somente uma engrenagem na “máquina” da empresa. Precisa ter produtividade, bom humor, saúde e um sorriso no rosto.

Mesmo que a situação financeira não compense, tenha gente doente em casa, não consiga sequer curtir a família durante a semana, e seja atormentado pelas cobranças da chefia.

Mesmo que leve quatro horas para se deslocar para seu trabalho, acorde com o sol nascendo e chegue em casa com a lua alta no céu.

Era parte desta máquina que eu não queria fazer parte. E queria ajudar as pessoas a terem, ao menos, a tal “Qualidade de Vida no Trabalho”.

A única forma que encontrei – e depois, centenas de outros terapeutas – foi entrando nas fábricas e escritórios para cuidar destas pessoas antes que adoecessem. Surgiu a “Terapia Laboral” e também começaram a dar ênfase à “Ergonomia no trabalho”.

Verdade seja dita, as empresas nos deixavam entrar porque era mais barato pagar alguns terapeutas e prevenir, do que arcar com os custos de um funcionário afastado.

Isso sem contar dos processos movidos por ex-funcionários, que, após terem dado o sangue para a empresa, eram mandados embora devido aos afastamentos. Ou seja, as pessoas adoeciam na empresa e eram descartadas quando não produziam mais.

A realidade é que hoje a situação está um pouco melhor, e você pode incorporar ao seu dia a dia algumas atitudes que irão preservar sua saúde física e mental. Este é o assunto de nosso artigo de hoje.

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O que é qualidade de vida no trabalho?

Ainda que o movimento por parte de cientistas sociais, sindicatos e empresas inicia-se por volta de 1950, a expressão Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) só surgiu em 1970, nos Estados Unidos.

Aqui no Brasil, o movimento chegou com algum atraso. Quase duas décadas depois (1990), houve o boom de Ginástica Laboral em empresas, como falado acima.

Qualidade de Vida no Trabalho é buscar que as empresas invistam em pessoas, para que estas tenham um ambiente de trabalho que propicie estar bem em todos os outros aspectos: físico, mental, psicológico, emocional, social, familiar, educacional e financeiro.

Segundo J. R. Sampaio, em seu livro Qualidade de Vida, Saúde Mental e Psicologia Social“, o tema Qualidade de Vida no Trabalho é representado, no passado, pela busca de satisfação do trabalhador e pela tentativa de redução do mal-estar e do excessivo esforço físico no trabalho”.

Como as empresas podem investir em pessoas?

investir em equipe

Quando foi compreendida a dinâmica da produção no trabalho, através de inúmeros estudos em diversas áreas, também as empresas começaram a olhar para os trabalhadores como mais do que simples “operadores” de máquinas, sistemas, ou servidores.

Para nos atermos ao momento atual, as empresas podem investir nas pessoas que trabalham ali de diversas formas:

Cuidando do corpo físico:

  • Propiciando treinamento semanal com terapeutas especializados (Ginástica laboral), a fim de ensinar aos seus funcionários a se exercitarem, alongarem-se em períodos estabelecidos ao longo do dia;
  • Propiciando cuidados de saúde na própria empresa, para prevenção de quadros crônicos de stress físico e mental (a Quick Massage é um exemplo);
  • Incentivando aos funcionários a pararem a cada hora para alongamento, ingerir água, caminhar pela sala, ir ao banheiro, comer nos horários corretos;
  • Investir em Semana de Prevenção em Saúde na empresa, como momento para conscientização e aprendizagem dos funcionários;
  • Aplicar os princípios da Ergonomia tanto no ambiente de trabalho quanto no mobiliário em relação à cada funcionário, ajustando altura e orientando posturas nos postos de trabalho.

Um bom exemplo são as empresas que estabeleceram a Ginástica Laboral semanalmente (como a Coca-Cola) para seus funcionários.

Outro exemplo de boas práticas é propiciar baias de trabalho equipadas com: apoios de pés, apoio para punho, telas de computador de altura reguláveis, cadeiras ergométricas que mantenham a coluna na posição adequada, protetor de tela de computador (para preservar a visão), protetores auditivos (em ambientes onde os decibéis ultrapassam o recomendável), equipamentos de segurança adequados para cada atividade etc.

Outro exemplo – um paraíso de quem sonha com Qualidade de Vida no Trabalho – são os escritórios do Google.

Ali quem trabalha tem liberdade total com seu tempo, podendo, inclusive, se dedicar ao “ócio criativo” (descansar, meditar, dormir, no “trabalho”, a fim de gerar mais ideias criativas).

Cuidando do mental e emocional:

  • Propiciando treinamentos ou workshops com terapeutas para aprenderem a relaxarem, meditarem e lidarem com o stress com técnicas respiratórias;
  • Trabalhando com Liderança Positiva na empresa:  
    • Feed back positivo: encorajamento social – com líderes que deem um feedback apreciativo, para que a pessoa acredite em sua própria capacidade;
    • Encorajamento social: conscientizando o time a  elogiar as pessoas com alta performance;
    • Motivando a equipe: treinamentos para ganhar foco, comprometimento e resiliência em situações de stress e pressão.

Grandes empresas hoje investem em “coaches empresariais” para analisar o que está desequilibrado nas relações das equipes de trabalho, desde o chão de fábrica até as altas “patentes”.

Desta forma os colaboradores da empresa sentem-se ouvidos, respeitados, considerados – trabalhando mais satisfeitos, adoecendo menos, e rendendo muito mais, alinhados com os objetivos da empresa.

É interessante perceber que, ao longo das décadas, as empresas entenderam que o maior capital que elas possuem não é dinheiro, ações ou estrutura física; o maior capital de qualquer empresa será sempre o Capital Humano.

Que benefícios colhemos com Qualidade de Vida no Trabalho?

benefícios qualidade de vida no trabalho

Quando a QVT é incentivada, tanto o empregado quanto o empregador colhem os benefícios.

Para o empregador, é muito mais interessante financeiramente custear iniciativas de cuidados e prevenção do que pagar pelo absenteísmo devido a afastamento por doenças físicas e mentais de seus colaboradores.

Pode parecer uma atitude egoísta, mas ainda que o seja, as empresas que cuidam de seus funcionários devem ser valorizadas, pois mesmo nos dias de hoje ainda há muitas que não o fazem.

Para quem é empregado, usufruir de programas de QVT trazem os seguintes benefícios.

Benefícios físicos:

  • Conscientização de seu próprio corpo;
  • Aprender a não ultrapassar os limites da dor;
  • Aprender autocuidados com o corpo (como alongamentos, automassagens, hidratação, nutrição);
  • Aprender a adaptar seu espaço de maneira a não prejudicar seu corpo – ajustando equipamentos para sua altura, sentando-se corretamente, por exemplo;
  • Aprendendo a aliviar pressões físicas e tensões na musculatura, e cuidando de si mesmo com o que foi ensinado pelo terapeutas;
  • Manutenção de seu tempo de trabalho e descanso, para preservar condições circulatórias, articulares e também foco.

Benefícios mentais e emocionais:

  • Aprende técnicas de auto regulação (respiração, relaxamento induzido etc);
  • Aprende a reconhecer pontos fortes;
  • Aprende a lidar com fracassos;
  • Diminui o stress e ansiedade;
  • Aprende a trabalhar em grupo proativamente;
  • Evita acidentes por falta de concentração;
  • Mantém a motivação e satisfação para o trabalho.

Seria realmente o paraíso se tudo isso acontecesse, estivéssemos satisfeitos no trabalho, e nossa vida também estivesse equilibrada.

O feijão e o sonho

Quando era estudante, mandaram que eu lesse um livro de Orígenes Lessa, chamado O Feijão e o Sonho.

Na verdade, a grande lição que aprendi naquele livro é que na vida tínhamos que escolher entre colocar o “feijão na mesa” ou correr atrás dos nossos sonhos.

Com um só livro, ensinaram milhares de alunos que viver de sonhos (o personagem principal era um escritor) não enchia a barriga de ninguém. Criava-se aí vários futuros trabalhadores dedicados e infelizes, estressados e doentes.

Apesar de ser boa literatura, acredito hoje que o autor prestou um desserviço a todos aqueles que queriam voar mais alto, serem criativos, desafiarem o mercado tradicional de trabalho, e a rotina escravizante e bem pouco estimulante de trabalhar para os outros.

Ainda que se escolha por “colocar o feijão no prato”, e que sua empresa ou firma trate você muito bem no ambiente de trabalho, existe o restante da realidade: o tempo gasto entre ida e volta, o chegar cansado e sem energia até para uma conversa, um aprendizado, para ser criativo ou para se dedicar à família.

Existe também uma remuneração que raras vezes é adequada ao esforço empreendido pelo colaborador da empresa.

Uma remuneração inadequada priva as pessoas de viajar como gostaria, comer como deveria, cuidar da saúde como poderia, cuidar de sua educação e dos filhos como sonharia.

Ou seja, ainda que haja um programa de Qualidade de Vida na empresa, a qualidade de vida termina assim que bate o ponto e vai embora.

E aí voltamos para as primeiras perguntas deste artigo:

  • Já acordou um dia e pensou que o que está fazendo hoje não é o que quer estar fazendo daqui a dez anos?
  • Já percebeu que sua rotina de trabalho pode estar te adoecendo?

O que seria um programa de Qualidade de Vida Real

Imagine-se acordando na hora que seu corpo realmente está descansado, sem despertador.

Agora, imagine que você tomará um café da manhã saudável, pois teve tempo de preparar uma vitamina de frutas, por exemplo. Isto já te dá uma energia física e mental enorme para suas tarefas diárias.

Você veste roupas confortáveis, faz meia hora de alongamento e exercícios. Toma um banho e está preparado para o trabalho.

Pega seu celular, seu laptop, puxa sua cadeira – de Executivo e ergonômica – e senta-se defronte à janela para trabalhar – recebendo o sol e a vitamina D que é necessária para não ter osteoporose com 50 anos.

No computador, administra seu negócio, e-commerce, relacionamentos com clientes e fornecedores, e gerencia redes sociais ao longo do dia.

Quando seus filhos te chamam, você está lá para ajudar, orientar, ensinar, levar à escola.

Na hora do almoço, você sabe o que está comendo, pois foi você quem preparou.

Mais um ponto para sua saúde. Após um relaxamento de vinte minutos, cuida da casa, das plantas, responde o whatsapp, dá uma olhada nos amigos no Instagram, combina a viagem de fim de semana, e… lê por 40 minutos.

Depois volta a trabalhar à tarde, que é quando seu trabalho rende mais.

Se você acha que o que escrevi acima é ficção, novela, engana-se.

Esta é parte da rotina de quem ousou empreender, ser um ponto fora da curva, e viver fora da prisão do relógio e trabalhar para os outros.

E se sentiu que esta pode ser sua realidade – ou até melhor – te convido a se inscrever na lista de e-mails, e receber conteúdos valiosos em primeira mão.  

Conecte-se com o que pode alavancar a mudança que você procura, através do empreendedorismo digital, para ter uma real qualidade de vida.

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Caio Ferreira é especialista em e-commerce, marketing direto e dropshipping. Criou o curso de dropshipping do Brasil mais completo do Brasil - o Negócio em 21 Dias 2.0 - e ajudou milhares de pessoas a mudarem de vida criando suas próprias lojas virtuais na internet sem gastar nenhum centavo comprando estoque de mercadorias.