empreendedorismo social

A realidade econômica do Brasil tem levado muitas pessoas a empreenderem nos últimos anos. O desemprego crescente, a mudança na legislação trabalhista – que facilita o trabalho terceirizado, e vem tornando obsoleta a nossa conhecida “carteira de trabalho” – fez mais uma vez o brasileiro usar e abusar da criatividade e inovação.

Existem outras motivações para ser um empreendedor. Mulheres que se tornam mães, por exemplo, muitas vezes optam por focar sua energia na criação dos filhos pequenos, nos primeiros 10 anos de vida.

Mas elas não querem ser totalmente dependentes, e buscam formas de ter um rendimento para si e suas despesas ou para ajudar nas contas da casa, gastos com roupas, passeios, brinquedos para os filhos.

Estas mães iniciam negócios gerenciáveis dentro de sua própria casa, para poderem dar conta da família e dos negócios ao mesmo tempo.

Uma outra motivação para empreender é criar um negócio que beneficie não só o empreendedor, mas o meio social em que vive ou que conhece de perto, gerando empregos e prestando serviços relevantes para pessoas em situação de carência financeira, cultural, social ou de oportunidades.

Este é o chamado empreendedorismo social, do qual falaremos neste artigo.

O que é de fato empreendedorismo social?

Imagine você poder empreender, criando um negócio que trará lucros e benefícios a você e também ajudar a sanar problemas sociais que você conhece e convive?

Quem faz o empreendedorismo social tem exatamente este propósito. Gostamos de pensar que as pessoas que se engajam neste tipo de empreendedorismo já enxergam além de suas necessidades pessoais, e por isso enveredam por este caminho.

Houve um pesquisador, chamado Maslow, que criou uma representação em forma de pirâmide para explicar a motivação das pessoas quando fazem algo.

piramide de maslow

A primeira motivação é sobrevivência. Trabalhar para comer, ter um teto, por exemplo.

A segunda motivação, quando as necessidades básicas estão sanadas, é ter um pouco mais de segurança: trabalhar para ter um plano de saúde, um estudo melhor, morar num lugar mais seguro…

A terceira motivação, quando a qualidade de vida melhora, é investir seu tempo em momentos com amigos, família, a pessoa que ama.

Percebe que as necessidades vão deixando de ser palpáveis (comida, roupa, um teto em cima da cabeça) e vão se tornando necessidades não palpáveis (estudo, qualidade de vida, relacionamentos, amor)?

Já a quarta motivação para o indivíduo crescer é a satisfação pessoal: saber que é capaz de fazer coisas incríveis, e ser reconhecido por isto. Se diplomar em algo, dar cursos, palestras, ensinar e orientar outras pessoas com a experiência e conhecimentos que tem, ou empreender e ser bem sucedido.

a quinta motivação para o indivíduo crescer é o que o leva ao empreendedorismo social: é a busca da satisfação do espírito, ou da alma, com conquistas que não se medem: ser ético, exercitar a criatividade, entender o outro apesar de toda e qualquer diferença, ajudar o próximo para que esse também possa ser pleno, realizado e feliz.

Ou seja, quem opta pelo empreendedorismo social tem consciência de que precisa ter um negócio que sustente suas necessidades (todas, palpáveis e não palpáveis), mas faz dele um meio de ajudar outras pessoas a melhorarem suas vidas.

O empreendedorismo social traz o sucesso e reconhecimento para o empreendedor, mas também gera valor para pessoas ou comunidades, ajudando a resolver situações que tenham a ver com:

  • Moradia
  • Saúde
  • Educação
  • Oportunidade de trabalho
  • Desigualdade social
  • Meio ambiente
  • Minorias
  • Direitos humanos (prostituição infantil, trabalho escravo etc)

O que o empreendedorismo social não é

É bom termos claro que o empreendedorismo social não é assistencialismo, não é instituição beneficente, nem ONG (organização não governamental), nem Oscip (organização da sociedade civil de interesse público).

Estes tipos de organização captam recursos para funcionar através de doações de pessoas físicas, jurídicas e editais públicos. Entretanto, quem as gerencia não visa lucro para si, mas somente a arrecadação de recursos para a manutenção dos projetos ali desenvolvidos.

Características do empreendedorismo social

Empreendedorismo social visa lucro, sim. O empreendedor social abre caminhos para a solução de problemas crônicos sociais e o lucro com sua empresa mantém a iniciativa funcionando, auto-sustentável, sem depender de doações do governo e de particulares.

Ou como eu amo dizer: o empreendedor social empresta a vara, ensina a cavar a minhoca e a pescar.

No empreendedorismo social, criam-se produtos e/ou serviços visando:

  • Valorizar características culturais, sociais, de nicho, que sejam particulares e tenham pouca visibilidade;
  • Treinar e/ou ensinar pessoas que tenham: pouca ou nenhuma oportunidade de sair de realidades limitantes e/ou escassez de recursos, pouco ou nenhum acesso a educação e cultura, pouca ou nenhuma oportunidade de entrar no mercado de trabalho e ampliar os limites de seu mundo/realidade social;
  • Empregar ou direcionar essas pessoas para o mercado de trabalho;
  • Viabilizar a divulgação e comercialização de produções culturais características de comunidades com pouca visibilidade para um público consumidor;
  • Gerar valor, melhorando a condição social, autoestima e desbravamento do potencial cultural, criativo e empreendedor em comunidades e pessoas que estão “invisíveis” na sociedade;
  • Dar oportunidade para mudança de realidade nestas comunidades e para estas pessoas envolvidas, através do trabalho desenvolvido.

Exemplos de Empreendedorismo Social

Clube da preta: numa iniciativa super bacana, o Clube da Preta é o primeiro clube de assinaturas de moda Afro do Brasil. Quem assina recebe um box mensalmente, com produtos de vestuário, artes e acessórios, selecionados por uma curadoria do Clube.

Todos os produtos são feitos por microempreendedores negros, de periferia, e o intuito é difundir a cultura negra e incentivar o afroempreendedorismo, promovendo o empoderamento econômico desta comunidade.

Agência Orquestra Digital: A Orquestra Digital surgiu da inquietação de Denise Veiga, gaúcha radicada no Rio de Janeiro, ao conhecer um projeto Entre Lugares de teatro, na comunidade da Maré. Voltado para jovens de 16 a 20 anos, convivia com a dificuldade destes jovens continuarem no projeto, por serem arrimo de família e precisarem trabalhar em horários rígidos.

orquestra digital empreendedorismo social

Associou-se ao projeto Entre Lugares, inicialmente, dando aulas para os jovens sobre Marketing Digital, para que pudessem ter opções de trabalho com horários flexíveis. Desta forma, poderiam continuar aprimorando o lado criativo e intelectual (no projeto de Teatro), cuidando de seus filhos (pois muitos eram pais adolescentes) e tendo uma fonte de renda alinhada com o século XXI.

Após a inclusão bem sucedida de uma das alunas numa agência de propaganda, criou a Agência Orquestra Digital, que oferece serviços de Marketing Digital para empresas. Alguns dos jovens do projeto inicial trabalham na Agência, e uma porcentagem da renda obtida com a prestação de serviços é destinada a manter funcionando as oficinas dentro das comunidades do Rio de Janeiro.

Gerando Falcões – Surgiu da idealização de Eduardo Lyra para mudar a realidade das favelas e periferias de São Paulo, de onde veio. A Gerando Falcões é uma organização social que desde 2013 vem mudando a realidade de crianças, adolescentes, jovens e adultos, inclusive vindos do regime penitenciário.

Oferece formação profissional para jovens e adultos, e proporciona espaço para esporte e cultura para crianças e adolescentes, mudando a realidade destas pessoas, e as chances de mudarem suas vidas e seu entorno.

Hoje a Gerando Falcões trabalha com música, tênis, futebol, coral, boxe, dança, pintura, teatro, departamento de Qualificação Profissional e muito mais. Trabalha também com empresas parceiras oferecendo empregos para os jovens que participam do projeto.

Terra Nova – Empresa que trabalha na mediação de conflitos na regularização de ocupações irregulares, viabilizando o entendimento entre os proprietários de áreas invadidas e as famílias carentes. Desta forma, conseguem acordos favoráveis para ambas as partes, os proprietários são  indenizados de forma justa e essas famílias conseguem tornar-se legalmente proprietárias de onde habitam.

Atuam desde 2001, e já receberam inúmeros prêmios, como o World Habitat Awards, de 2008. Conta com uma equipe multidisciplinar para a resolução de conflitos, e já beneficiou mais de 60.000 pessoas.

TOMS Shoes – Você compra uma alpargatas ou um sapato super moderno da marca, e ajuda a calçar uma criança de baixa renda. Esta é a proposta da TOMS Shoes, criada pelo americano Blake Mycoskie.

Trabalhando com comunidades carentes, a TOMS Shoes já impactou mais de 60 milhões de pessoas.

Banco Pérola – Inspirado na iniciativa de Muhammad Yunus, de Bangladesh, o Banco Pérola atua desde 2008 oferecendo microcrédito acessível para microempreendedores nas cidades de Sorocaba e Votorantim.

Desta forma, ajuda a pessoas de baixa renda a saírem da informalidade, expandirem seus pequenos negócios e terem um futuro mais digno.

Existem muitas outras iniciativas maravilhosas, contemplando saúde, meio ambiente, artesanato, artes e mais.

Inspirando-se com o empreendedorismo social

Como fazer o controle do estoque

Como você pode ver, a fagulha do empreendedorismo social pode se iniciar de várias formas.

Vivenciar realidades difíceis e buscar alternativas para sair de ciclos viciosos de pobreza, violência, falta de acesso à cultura, saúde de qualidade etc.

Trabalhar com esta realidade e criar possibilidades de mudança para as pessoas que ali convivem.

Vivenciar situações de degradação do meio ambiente e trazer soluções para preservação, restauração de biomas, educação da população do local para serem agentes mantenedores e transformadores.

Vivenciar ou trabalhar com a saúde e buscar alternativas para tratamentos de qualidade, humanizado e que atendam as camadas mais carentes da população.

Existem redes colaborativas que formaram-se dentro do Facebook, como a Rededots, por exemplo. De um grupo fechado – hoje com mais de 250 mil membros – suas fundadoras criaram um Market Place, onde artesãos e empreendedores de todos os nichos apresentam seu trabalho, com taxas acessíveis a todos, e que mantém o projeto em andamento.

O que você pode criar para melhorar a sua situação econômica, e também pessoas de sua comunidade ou grupo social?

  • Uma empresa que comercialize criações de vários artesãos de comunidades carentes, etnias discriminadas?
  • Uma empresa que atue dando oportunidades de cultura, educação e formação para crianças, adolescentes ou adultos?
  • Uma empresa que fomenta o empreendedorismo com crédito, ou com cursos profissionalizantes, para pessoas de baixa renda e em áreas carentes?
  • Uma empresa que traga ideias inovadoras de reciclagem de materiais e produção de renda por comunidades pobres?
  • Uma empresa que ensine comunidades rurais a preservarem a riqueza vegetal e animal local, trabalhando com turismo ecológico?

A internet leva estas informações e ideias aonde você estiver, seja na cidade, no interior, área rural, comunidade ou periferia. Cabe a você buscar o que pode ser aplicado à sua realidade, usar a criatividade e criar seu negócio neste modelo de empreendedorismo social.

E se barreiras como tempo e dinheiro estão impedindo você de sonhar em ser um empreendedor social, que tal conhecer uma história de superação, de um jovem do interior de Santa Catarina?

Ele aprendeu a usar 4 segredos para alavancar um negócio digital, no tempo que lhe sobrava após o trabalho, e hoje tem sua independência financeira. Saiba mais aqui!

Inspire-se com esta história e use sua criatividade para usar estes segredos também no empreendedorismo social.

Faz parte da equipe de conteúdo da Empreenda Ecommerce. A curiosidade a fez “especialista em assuntos aleatórios” – sabe de tudo um pouco, pois ela não para de estudar novos assuntos. Escreve desde os nove anos de idade e hoje se orgulha dos vários livros publicados.