o que e capital de giro

Se você acompanha os artigos aqui no blog, verá que falamos várias vezes de Capital de Giro. Também explicamos que para se iniciar uma empresa, é necessário ter um capital de giro (principalmente se quiser abrir uma Microempresa pelo SIMPLES nacional), mesmo que baixo.

Hoje vamos explicar o que é o capital de giro, como calcular, e sua importância para a saúde financeira de uma empresa – e a longevidade dela.

Quando sonhamos com nosso negócio próprio, tendemos a imaginar o serviço que vamos oferecer, como será o ambiente, mobiliário, site que vamos criar, e até maneiras de divulgar nosso produto ou serviço.

É necessário ir além do sonho. Quanto custa o que queremos? E o local do estabelecimento, é próprio, terá custo de aluguel ou alguma e reforma necessária? Quais são os equipamentos necessários para meu negócio funcionar, e o que tenho que investir para comprar?

Estes valores acima, relativos à equipamentos, máquinas, mobiliário e até um imóvel, é o que chamamos Capital Fixo ou Permanente.

Este é o investimento inicial, necessário para que seu negócio comece a funcionar.

Por exemplo, se eu quiser montar um delivery de comida, com a capacidade de servir 500 refeições por dia, preciso de uma cozinha espaçosa e local para estocagem de materiais.

Além disso, preciso de um fogão industrial, panelas próprias para grandes quantidades, computador para controle de estoque, financeiro, além da matéria prima e demais itens estruturais, para início do negócio.

Perceba que o Capital Fixo, uma vez investido, faz parte inclusive dos bens da empresa – e pode ser vendido se ela for desfeita.

Já o Capital de Giro é um pouco diferente, como verá a partir de agora.

Para a sua experiência ficar ainda melhor, navegue pelos links abaixo:

O que é Capital de Giro?

o que significa capital de giro

Capital de Giro também é chamado de “Ativo Circulante”. Como o próprio nome diz, é um dinheiro usado para “circular” ou “girar” na conta mensal.

Muitas pessoas começam seu negócio com o montante de Capital Fixo, mas se esquecem que é preciso ter uma reserva inicial para o pagamento de itens que não “vemos” – mas pagamos:

  • Despesas fixas mensais: água, luz, telefone, internet, aluguel, impostos;
  • Despesas com funcionários, motoboys, contador, divulgação;
  • Despesas para renovação de estoque, matéria-prima;
  • Despesas com “imprevistos” – consertos de maquinário ou mobiliário, renovação de peças quebradas.

Numa empresa registrada como SIMPLES nacional (ME), por exemplo, é necessário ter este Capital de Giro em conta, para que a empresa possa existir. Este é o Capital de Giro Próprio.

Apesar de não ser oficialmente necessário para Microempresas (MEI), na prática é essencial começar com os pés no chão, seja lá qual for o tamanho de sua empresa.

Para que provisionar o Capital de Giro próprio?

Vamos imaginar que, em sua pequena empresa, você calculou que, entre aluguel, despesas fixas e manutenção de estoque mensal seu capital de Giro mensal seja de R$15.000,00.

Já sabemos que para iniciar seu negócio, você precisa ter este dinheiro em conta. Mas para quantos meses você precisa ter este dinheiro provisionado?

Num mundo ideal, seu negócio deveria render, ao final do mês, o retorno do dinheiro gasto com as despesas diárias e mensais (listadas acima), e ainda dar algum lucro.

No mundo real, porém, isto não acontece. Empresários, SEBRAE e até o governo sabem disso – portanto vem daí a obrigatoriedade de ter o Capital de Giro próprio numa conta corrente, ao iniciar a empresa.

A experiência mostra que uma empresa demora de um a dois anos para recuperar o investimento inicial (capital fixo), e de seis meses a um ano para que o fluxo de caixa seja positivo – e com lucro.

O que isto significa?

Significa que um novo empresário consciente sabe que trabalhará somente para pagar os gastos feitos no período anterior, sem lucro, por pelo menos um ano.

Também sabe que, para não quebrar em menos de um ano, é recomendável ter provisionado como Capital de Giro próprio o valor para despesas fixas (aluguel, telefone, luz etc) e variáveis por pelo menos seis meses, para manter seu financeiro no positivo.

Além do Capital de Giro próprio, precisamos entender o que é Capital de Giro Líquido.

Capital de Giro líquido

O Capital de Giro líquido corresponde a aproximadamente 55% do total de ativos de uma empresa (segundo o SEBRAE).

Ele é a soma dos: valores presentes na conta bancária + valores a receber (vendas à prazo) + valores a pagar + valor do estoque + valor em caixa.

Por este motivo é necessário o controle minucioso do fluxo de caixa, do estoque e de contas a receber/inadimplência.

Qual é o objetivo de ter um Capital de Giro líquido

O objetivo é que o fluxo de caixa seja positivo, usando os recursos que já estavam provisionados + o que receberá com a venda do produto/serviço.

O fluxo de caixa se refere ao controle do dinheiro que sai e que entra em seu negócio, proveniente dos pagamentos que se faz (para fornecedores, despesas, banco) e o recebimento que se tem (de clientes, a prazo, em vezes, ou à vista).

Vamos entender, primeiramente, como é composto o preço de um produto, para perceber a importância de controlar as finanças da empresa.

Calculando o preço do produto ou serviço

O cálculo do seu produto ou serviço precisará sempre englobar:

  • Um percentual das despesas fixas;
  • Um percentual das despesas com matéria-prima;
  • Custo do produto (caso trabalhe com revenda);
  • Custo com embalagens e transporte;
  • Um percentual relativo à mão-de-obra/tempo;
  • Um percentual de lucro.

Exemplo: Se você for fazer um aromatizador de ambiente de 150 ml, com etiqueta, laço de cetim e embalado num saquinho, terá que calcular:

  • Valor do vidro de 150 ml;
  • Valor da tampa;
  • Valor da base de álcool de cereais ( *quanto vale os mls usados em relação ao preço do litro) Ex: se 1 litro (1000 ml) vale R$20,00, e você usa 100 ml, cada 100 ml = R$2,00;
  • Valor da essência (*quanto vale os mls usados em relação ao preço do litro da essência);
  • Valor do bastão de madeira (vezes o número de bastões que utilizar);
  • Valor de 20 cm da fita de cetim (*calcular em relação ao preço do metro do rolo);
  • Valor da etiqueta (*em relação ao pacote de etiquetas);
  • Valor da tinta da impressora (*percentual em relação ao preço de um cartucho);
  • Valor de um saquinho;
  • Valor de sua hora de trabalho dividido pelo tempo gasto na confecção do aromatizador;
  • Valor percentual de luz, água, aluguel, etc. utilizado durante o processo de confecção;

Calculado o valor acima, você estipula o percentual de lucro que quer obter, para obter o preço do produto.

*Os cálculos acima são chamados de “Memória de Cálculo” de um produto. Uma vez feitos, só precisam ser recalculados se houver aumento no valor das matérias primas ou despesas fixas.

Desta forma, ao finalizar seu fluxo de caixa, ao final do mês, terá retornado para sua conta os valores necessários para pagar tudo o que está enumerado acima, e continuar a produzir seu aromatizador.

Como você pode notar, os únicos valores que poderá mexer são em seu percentual de lucro, e eventualmente, se não houver prejuízo na qualidade do serviço, em despesas com matéria-prima e embalagens.

No valor da mão-de-obra (quanto vale a hora de trabalho), você só poderá mexer se estiver “pagando a si mesmo”, pois se houverem funcionários, terá que obedecer ao piso salarial vigente.

As consequências de um mau planejamento financeiro

como ganhar dinheiro extra nos finais de semana

Quando não controlamos nosso fluxo de caixa e estoques, temos um mau planejamento financeiro. Com isso comprometemos o futuro de nosso empreendimento.

Imagine que a venda dos seus produtos em estoque não correu como o esperado. Você tem que pagar seus fornecedores, repor mercadorias, pagar suas despesas fixas.

Se você não tem um capital de giro líquido – sua reserva – para situações como essa, acabará recorrendo a empréstimos bancários, no desespero. E todo mundo sabe que depender de banco na hora do aperto é ser “esfolado” no bolso, sem possibilidade de negociar juros, etc.

Portanto, para um bom planejamento financeiro, o empreendedor precisa sempre ter o controle do que acontece em todos os setores de sua empresa.

Estoques

No caso de produtos, precisa ter sempre atualizado o que há em estoque, o que precisa ser reposto.

Se é um produto sazonal, quando vale a pena fazer uma queima de estoque, para reaver o valor investido?

Se é um produto com prazo de validade, esteja atento a este fato para não jogar dinheiro fora.

No caso de matérias primas para fabricação de comida, cuidado sempre com prazo de validade, condições de estocagem e armazenamento, controle de pragas.

Tudo isto interfere no bom uso ou perda do dinheiro investido.

Produtos que são vendidos o ano todo, mas andam encalhados, podem receber uma ajudinha com promoções em datas especiais (onde o comércio se aquece), para que o dinheiro volte para o caixa.

Lembre-se: o olho do dono é que engorda o gado.

Oriente quem trabalhar com você, mas pelo menos uma vez por semana verifique se tudo está conforme o determinado. Caso tenha alguma falha, oriente, corrija, e explique a importância das ações solicitadas.

Compras e outros custos

Com o controle de estoques, você pode calcular de maneira correta o que precisa comprar, qual a quantidade e seu custo.

Com o controle contínuo, você terá um valor médio mensal que precisa ser investido para a compra de produtos ou matéria-prima, e poderá mudar suas estratégias e ações, para contornar períodos de queda de vendas, ou investir em períodos em que há aumento de vendas.

Também tenha em mente seus custos fixos mensais, semestrais e anuais, para que esteja tudo dentro do planejamento financeiro.

Numa empresa não existem surpresas, só mau planejamento.

Vendas

trabalhar com estoque do fornecedor

Aqui, além do fator “estoque”, precisamos pensar no fator “recebimento”.

O dinheiro recebido é que fará a sua empresa continuar ativa. Por este motivo, é necessário:

  • Realizar o cálculo minucioso do preço de produtos ou serviços;
  • Estudar quais as formas de recebimento à prazo que não afetarão a saúde financeira de seu negócio.
  • Ter o controle de possíveis inadimplências, para que haja a cobrança rápida e o retorno do dinheiro em caixa.

Não adianta oferecer todas as formas de pagamento para agradar seu cliente, se isto fará com que sua empresa quebre em seis meses.

É sempre interessante verificar as condições que as operadoras de cartão oferecem para parcelamento, juros cobrados e porcentagem cobrada de sua empresa para recebimento à vista, se necessário.

Agora que já explicamos o que é Capital de Giro Próprio, Capital de Giro Líquido, Fluxo de Caixa e a importância de um bom planejamento financeiro, vamos aprender a calcular o Capital de Giro Líquido – fundamental para a saúde financeira da empresa.

Calculando o Capital de Giro Líquido da empresa

Calcular o Capital de Giro Líquido (CGL) da empresa é como direcionar seu foco para o momento presente da empresa.

Qual a importância desse cálculo?

É a partir dele que você irá planejar as próximas decisões e ações a serem tomadas, no que se refere ao que comprar e quando, e o que vender, por quanto, como (promoções, maior ou menor margem de lucro, etc).

O que compõe este cálculo:

  • AC – Ativos circulantes = dinheiro em caixa, aplicações financeiras, dinheiro em conta bancária, contas a receber, e outros;
  • PC – Passivos Circulantes = contas/despesas a pagar, pagamentos à fornecedores, empréstimos a pagar, etc).

A fórmula usada é esta: CGL = AC – PC

Ou seja, em linguagem simples, seu Capital de Giro Líquido é igual ao dinheiro que você tem “guardado” menos o “dinheiro a ser gasto”.

A saúde de sua empresa e, como dissemos, suas ações, serão determinadas pelo resultado positivo ou negativo desta conta.

Se olharmos com atenção, não é diferente do que fazemos num orçamento doméstico. E se você nunca fez um, que tal treinar a administração de sua empresa começando com a administração financeira de sua casa?

Esperamos que você aproveite ao máximo este conteúdo, e comece a usar o mais breve possível.

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Faz parte da equipe de conteúdo da Empreenda Ecommerce. A curiosidade a fez “especialista em assuntos aleatórios” – sabe de tudo um pouco, pois ela não para de estudar novos assuntos. Escreve desde os nove anos de idade e hoje se orgulha dos vários livros publicados.